Nova Etiqueta Do Condomínio O Que Os Moradores Podem Ou Não Fazer Em Tempos De Coronavírus Post

Nova etiqueta do condomínio: o que os moradores podem ou não fazer em tempos de coronavírus

A vida em condomínio nunca foi um mar de rosas. Mas o  isolamento social imposto pela pandemia de coronavírus acirrou ainda mais a difícil convivência entre vizinhos.

Antes, os moradores passavam a maior parte do dia fora de casa, seja trabalhando ou estudando. Agora, estão todos trancados dentro de seus apartamentos, 24 horas por dia, impedidos de curtir a vida lá fora.

Pequenas diferenças podem ser amenizadas se os condôminos seguirem um conjunto mínimo de regras, segundo Marco Gubeissi, diretor de administradoras da vice-presidência de administração imobiliária e condomínios do Secovi-SP (sindicato da habitação de São Paulo). A principal delas, na medida do possível, é tomar cuidado com o barulho.

“Aumentou muito o número de reclamações contra vizinhos, principalmente sobre barulho, pois tem gente querendo trabalhar enquanto o vizinho tem filhos pequenos chorando ou jogando bola dentro do apartamento”, diz Gubeissi.

O que parece, infelizmente, é que os vizinhos estão tolerando cada vez menos os deslizes dos outros condôminos.

“Com ocupação total, 24 horas por dia das unidades, os vizinhos já não toleram barulhos – muitas vezes em função de uma reunião online ou das crianças dormindo – e as reclamações deste tipo dispararam. Até barulho de rede balançando na varanda alheia tem sido alvo de brigas entre condôminos”, conta Stefan Jacob, diretor-executivo do Grupo Rachkorsky.

O que fazer nesses casos em que o barulho do vizinho atrapalha a sua vida? Gubeissi recomenda que as pessoas sejam mais tolerantes umas com as outras.

“Não dá para o síndico sair multando todo mundo. O vizinho tem que entender que não é fácil também para uma criança ficar trancada dentro de casa por tanto tempo. Ela não pode nem descer para o playground. Então é preciso ser tolerante, pois todos estão sofrendo.”

Como lidar com a pandemia dentro dos condomínios? Gubeissi diz que a maioria dos condomínios mudaram suas rotinas para evitar a conter o coronavírus. As principais medidas adotadas foram:

  • Fechamento das áreas comuns (playground, academia, salão de festa, churrasqueira
  • Reforço na higienização de botões de elevador, maçanetas de portas e portões
  • Restrição de uso do elevador (uma pessoa por vez ou no máximo três, desde que do mesmo apartamento)

Mas já tem condomínio liberando o uso de algumas áreas, pode? Esse assunto é polêmico. O diretor do Secovi diz que ouviu relatos de prédios que reabriram parte de suas áreas comuns, mas afirma que é preciso analisar cada situação com cuidado.

“O playground é um local complicado, pois as crianças se aglomeram, têm contato com os brinquedos. A mesma coisa com a academia, as pessoas usam e nem sempre limpam os equipamentos.”

Stefan Jacob, diretor-executivo do Grupo Rachkorsky, diz que prédios que relaxaram as medidas tiveram de voltar atrás depois.

“Nos poucos prédios que vi isso acontecendo, a medida foi revista nos dias seguintes por pressão dos próprios condôminos. E dou razão: Se estamos direcionando todos os esforços para a limpeza (desinfetando os elevadores a cada meia hora, por exemplo) e para a manutenção (todos em casa, não podemos deixar nada parar de funcionar), não faz sentido liberar as áreas comuns para utilização.”

Mas existe alguma forma de liberar o uso dos espaços?

“O melhor seria manter fechado. Mas se o espaço for aberto e for apenas uma pessoa por vez, não vejo problema”, diz Gubeissi.

E se algum morador tiver coronavírus? O que ele deve fazer? Stefan Jacob diz que não há a obrigação formal da comunicação de casos confirmados ao síndico ou condomínio.

“Mas se o paciente ou família comunicar, o síndico deve conversar com a equipe sobre a importância de uso de EPIs (equipamentos de proteção individuais) e frequência de limpeza nas áreas de trânsito.”

Nesse caso, o síndico deve comunicar os vizinhos? Não. O síndico precisa dessa informação apenas para reforçar a higienização do andar desse morador e para eventualmente ajudá-lo a receber entregas de comida ou medicamentos. “Temos o entendimento que se o paciente foi confirmado e liberado para acompanhamento em casa os cuidados devem ser redobrados, mas sem expor o condômino” diz Jacob.

Fonte: 6min

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